segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Nasci e cresci infeliz,
vivi e morri, sempre por um triz.
Sorri e fingi, até mesmo no enterro.
Fiz e quis, evitando cada erro.

Mas, aqui estou, um triste fim,
Com rimas referentes apenas a mim,
"Aqui jaz um príncipe" está no caixão,
Um figura real, fadada solidão.

Minha calma diante a morte assusta,
Revejo uma história sem qualquer luta,
Sequer tive algum sonho outrora,
Pra mim não há antes, depois ou agora.

A dor talvez fosse melhor que o nada,
Como pode o nulo pesar essa tonelada?
A falta de pecados me trouxe ao inferno,
Um terrível tormento interno.

É irônico, pois até mesmo na morte,
Ajo como tivesse sorte,
Me forço a estar contente,
A felicidade é uma obrigação em minha mente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Essa dedico aos que não podem comemorar,
Que tentam, mas, ainda não chegaram lá.
Aos que buscam transcender a forma de homem,
Àqueles que se recusam viver com fome.

Seres que vagam entre dois planos,
Se aquecem ficando em baixo de panos,
O corpo é incapaz de produzir calor,
Todos já se afastaram diante o odor.

Cujo os corações já não batem,
Mas, as mentes também não partem,
Torturam seus corpos com a vida,
Deixam a morte menos nítida.

Por fim, ainda vivem e sentem,
Mas, já não querem ir em frente,
Distante de qualquer camada do paraíso,
Afundados em uma tonelada de lixo.

Para nós, eles são apenas gritos,
Desafinam enquanto esperam pelos mitos,
Desde cedo são íntimos da morte,
A única variável era a sorte,
Hoje, decompõem sobre o chão,
Ou quando muito, lamentam sobre o colchão.





quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Dedico uma hora a todos vocês,
Uma ajuda para os que esperam sua vez,
A chance que facilita toda a vida,
O atalho que encurtar toda a vinda,

Terás uma hora a menos para viver,
Nesse dia será ainda mais fácil não ser.
Estão uma hora mais próximos da morte,
Novas desculpas para sua falta de sorte.

Poderás ficar uma hora a mais em sua cama,
A noite atrasará devido ao sol e sua chama,
Aqui temos mais uma incrível desculpa,
Esse horário realmente atrasa sua luta.

Não se preocupe, ainda terás sua lua!
Sua autopiedade não será afetada,
O novo tempo te permitirá ser um nada.



Sou uma anomalia temporal,
Uma existência além do normal,
Vivendo em um mundo ultrapassado,
Preso vendo as feridas do passado.

Até então, nada mudava o futuro,
Sequer algo rachava seu muro.
A vida continuava bipolar,
Ninguém sairia de seu lugar.

Mesmo sendo um paradoxo,
Aceitei viver sem propósito,
Me tornando parte do que viria,
Me tornando apenas mais uma cria.

Acreditei que esse tempo era meu lar,
Simplesmente resolvi não lutar,
Segui o rumo dessa dimensão,
Me tornei um homem são.
Ou, assim pensava, até ver a tentação,
Ser pego por aquilo que pode ser ilusão,
Ver algo que me diz que ainda há salvação,
Que me dá a esperança de não viver em vão,
Que me convence que ainda há ação...

Volto a ficar inconformado,
Exploro todo e qualquer lado,
Agora, fecho meus olhos e lá está você,
Seu simples olhar mudou minha concepção de ser.



domingo, 21 de junho de 2015

Lágrimas caiem a cada passo não dado,
Um mundo morre quando buscam o alvo,
A precisão no arremesso limita o dardo,
E a cada certeza, deixamos o mundo mais calvo.

Gastam todo o tempo processando informação,
Somando os sonhos que não se realizarão,
Querendo a certeza absoluta antes da ação,
Enquanto  vidas se vão, em vão.

Esperam menos complexidades nas rimas,
Ignoram tantas contradições em suas sinas
Sincronizam seus diferentes climas,
E caminham por cima de todas essas minas..

Não se preocupem, há alguém olhando o futuro,
Continuem a procura do êxtase mais puro,
A busca para não escutar seus próprios urros.



sábado, 13 de junho de 2015

A morte do ser.

Ao olhar do mundo,
 um moribundo,
Ao olhar do futuro,
 ser que viera do escuro,
Ao olhar do destino:
 só mais um menino,
Ao olhar divino:
ser que compõe um novo hino,
Ao olhar da vida:
 a morte nítida,
Ao olhar do que ensina:
 um condenado por sua sina,
Ao meu próprio olhar:
mártir querendo seu lugar,
Mas, vivo a procura de um olhar,
Onde eu possa ter um lar.

Uma visão onde vencerei a tal solidão,
Onde eu estarei são,
na realidade junto a sua mão,
Se hoje está distante,
Continuo a ser um viajante,
Um ser talvez gigante,
Mas. nas terras dos homens, um atlante,
Mas, ainda sim, nesse olhar há uma parte de mim

Talvez, há única parte verdadeira,
Aquela que sempre fora a primeira,
O conceito por trás de tantas perspectivavas,
A parte real do homem que desafia vistas.

Aos olhos do universo,
 o único incerto,
Aos olhos do tempo,
aquele que caminha lento,
Aos olhos do plano maior,
ser que vive só,
Aos olhos da criação,
 ser que ainda vive em vão,
Aos olhos do sentido,
ser que vive por instinto,
Aos olhos do que tudo sabe,
 ser que sempre renasce,
Ao nosso olhar,
ser que se perde longe de seu lar.

Baixa imunidade.Anticristo

Tenho nojo do sangue em minhas veias,
Vivo a fugir de suas asneiras,
Dispenso o título dessa geração,
Sem educação, piso nos que caiem no chão.
Emito uma risada a cada palavra,
Como podem falar tanto e não dizerem nada?

Em minhas veias, esse sangue se contaminou,
Nada dura em contato ao que sou,
Possuo todas as doenças dessas crianças,
Os caídos me vêm como fração de esperança.
Minhas palavras tentam curar tal mundo,
Tento entregar a poesia de um moribundo.

Me esforço para aqui criar um assunto,
Ter palavras em meios a tantos santos,
Vocês vendem suas almas pelo céu,
Se sabotam para viver em um mundo de papel,
Já eu destruo patrimônio publico,
Do seus pesadelos eu sou o músico.

Então, peço perdão pela minha presença,
Nunca quis destruir sua crença,
Mas, esse é o fardo do meu respirar,
Inevitavelmente poluo o seu ar.
Sou o número que fracassa a fórmula,
Profeta do caos que trás a nova forma.