quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sereia

Mesmo vendo todos os rostos na multidão,
Enxergando futuros em cada olhar,
Foi na distância que encontrei um lar,
Nos mil quilômetros e meio entre a mente e o coração.
Agora, cada cidade está a separar.

18 horas de uma viagem que já começou na mente
3 estados entre a mais difícil possibilidade,
Em todos esses, a prisão é o presente,
Apenas aí o mapa não será uma grade,
Onde sequer haja a ilusão da liberdade.

Mas, estou apenas me afastando de seu porto,
Cada vez mais em um rumo de uma fortaleza,
Onde haverá calor em meu corpo, mas, estarei morto.
A nossa alegria agora é uma incerteza,
Em vez de partilhar do seu frio, estou indo para frieza,

O outrora sul, agora é meu norte,
Ando de costas para o que sonhei,
Navegando no grande rio da sorte,
Onde me torno anarquista iludido pela falta de lei,
Mas, que na verdade, vive a gritar pelo seu rei,

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Dispensa a mais um vendedor de ideias...

Me desculpe, mas eu tenho a razão!
Eu quem devo pregar o sermão!
Aqui eu quem escolho o inicio.
Possuo a razão como único vício.

Em minha presença, você se acha certo?
Gênio ou não, perto de mim, és inseto.
Em meu reino, possuo a palavra,
Não tente invadir a minha a casa!

Jamais tocarás em minhas ideias,
Meu saber é o que corre em minhas artérias,
Não ligo se não tenho sua inteligencia,
Apenas quero minha essência.

Então, saia daqui junto a meus erros!
Não se esqueça de recolar os selos!
E que vá vender ideias em sebos!

terça-feira, 19 de maio de 2015

A trilha do vencedor.



A vida é um conjunto de jogos,
Onde o limite é seu, não há céu.
Consiga jogadores com o mais doce mel,
Néctar que te fornecerá corpos.

Apernas forme seu exército,
Aos poucos, extraia todas as emoções,
Faça com que não precisem de noções.
Ofereça um túmulo em seu peito.

Use a arte milenar da guerra,
Implante a necessidade de você,
Crie o paraíso, os faça morrer,
Depois, implante o inferno na Terra.

Assim, viverá em sua sonhada glória
Conseguirá usufruir de sua vitória,
E, assim, cada um deles te manterá na memória.

domingo, 17 de maio de 2015

Tudo que ela queria era caminhar,
Viver sem morrer por faltar de ar,
Não temer cada olhar estranho,
Não censurar cada possível ganho.
Passar despercebida com sua beleza,
Desviar da maldade com suas destreza.
Criar seu próprio reino encantado,
Esquecer que o príncipe fora envenenado.

Tudo que ela queria era se decidir,
Saber a melhor definição para si,
Ter a estabilidade mental,
Dessa vez, não queria ser o mal.
Se livrar do seu poder da manipulação,
Não esmagar outro coração,
Enfrentar os conflitos de sua idade,
Se controlar antes que outro a enfrentasse.

Tudo que ela queria era mudança,
Voltar a ser uma criança,
Reescrever aquilo que se tornou o futuro,
Conseguir viver em um mundo maduro.
Queria novos personagens, novas caras,
Acordar e simplesmente fazer suas malas,
Partir todo dia em rumo ao novo mundo,
Não mergulhando no que se tornou sem fundo.

Já eu, só quero esquecer essas histórias,
Quero acreditar que são apenas escórias,
Me convencer de que essa é a sociedade,
Um lugar que te mata cedo ou tarde.
Que para o corrompido não há salvação,
E que mal nenhum corrompe o bom,
Mas, há tempos abandonei a religião,
Me resta sofrer por cada corpo que cai ao chão,
Saber que essas almas sofrerão ao eterno,
Um ciclo que continuará recriando o inferno.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Todas as noites um rosto me persegue
Traz sentimentos que em todo sonho permanece,
Faz com que cada lembrança se torne um mapa,
A chave para provar que a vida não é uma farsa.
Uma intervenção que confunde sonhos,
A tortura até mesmo para os demônios.

Rosto este que me persegue na intimidade,
Ser sem piedade que ataca minha sanidade,
Um vício que não quer ser superado,
O passado que não quer sair do meu lado.
A dificuldade de voltar a ver normalmente,
A eterna instabilidade da minha mente.

A recusa de voltar à um mundo cético,
De ser apenas mais um poeta métrico,
Sinto a falta de sentimento em cada poema,
A nostalgia de ter feições como tema,
Rosto esse que ainda fornece rimas,
E talvez as mais perfeitas linhas.

Em segundos, passo de ficcionista à romancista,
Juntar de dois mundos, romper de duas sinas.
Me torno criança mimada que não quer perder,
Mas, o fracasso é a feição do rosto que estou a ver,
Uma imagem que detalha todos os meus erros,
Em nossos olhos fechados, percebi todos meus medos.
.


domingo, 3 de maio de 2015

Sequelas de uma era de paz.

Vivo como um soldado faminto,
Inventando guerra para não ser extinto,
Sendo atormentado por dores fantasmas,
Mas, treinado para não derramar lágrimas

Mesmo fora da zona de risco, crio inimigos,
Me inundo em pólvora para ser digno,
Em cada mão amiga, vejo um gatilho,
Confiando apenas à bandeira da qual sou filho.

Se tornou impossível viver fora do conflito,
O medo se tornou o meu maior instinto,
O único modo de depositar confiança,
Só com ele consigo criar uma aliança.

Mesmo estando seguro, crio uma matança,
Aos poucos, me torno o maior inimigo da paz,
E nessa paranoia, aos poucos, minha mente jaz.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Uma canção me puxou ao mar,
Sequer percebi que lá não era o meu lugar,
Em certo ponto, a pressão me fez ficar surdo,
E já na água, esquecia o quanto sempre fui imundo.

Pouco me importava com o afogamento,
Meus pés não estavam mais preso no cimento,
Diante à morte inevitável, senti cada segundo,
Mesmo com pouco tempo, ali eu tinha um novo mundo,
Não me importava com a morte de meus sonhos,
Ali não havia destruição causada por colonos.

Acreditei que meu lugar não era na superfície,
Eu estava vivendo longe de qualquer crise,
Mergulhando em rumo da bela morte,
Onde o sol não servia mais como holofote,
Tendo apenas o canto em minha mente,
Sem ouvir os grito que me faziam ir em frente.

Talvez ali encontrei a fórmula de felicidade,
Onde o sempre estava por toda a parte.
Poderia facilmente abandonar a vida,
Deixar-la para trás, triste e ferida.
Próximo de esquecer aquilo que me move,
Construindo um exílio, só porque lá fora chove.

Mas, por minha sorte, o canto parou,
E em um choque de realidade, vi quem sou,
Senti a raiva no meu sangue,
Percebi que vermelho a água tange, 
Percebi a expansão de todas minhas feridas,
Notei o quanto a água consegue ser ríspida.

Sem o canto, percebi toda minha dor,
Lembrei um mundo sempre cheio de cor,
Percebo agora que essa vida nunca foi para mim,
Talvez, nunca tivesse conseguido viver assim,
Estou longe de ser o que você anseia,
Obrigado por todo esse tempo, jovem sereia.